1. Trilha – A ideia de Montessori é ser uma trilha, um conjunto de placas e uma bússola.

Um caminho simples, belo, cheio de atrativos interessantes e ocasiões de encanto, mas um caminho simples, compreensível, que você pode percorrer.

Porque Montessori dá certo com qualquer criança, em qualquer ambiente, em qualquer lugar do mundo em qualquer época (e é necessário muita coragem para dizer isso, mas também uma certeza absolutamente científica do que se diz gabrielmsalomao), por causa de tudo isso, é possível afirmar para você: invista um pouco do seu tempo para entender Montessori.

É Pra Ser Simples

O trabalho precisa ser internalizado com algumas ideias que contrariam fundamentalmente a forma de pensar moderna, que esta sim, cada vez mais complexa.

 É notável, entretanto, quanto complicaram o método  Montessori desde a morte de Maria Montessori. Ela insistiu inúmeras vezes na simplicidade científica de seu trabalho. Não na facilidade dele, mas na simplicidade dele.

Vamos tentar entender o que é ambiente preparado.

 O texto foi inspirado no subcapítulo “Qualidades Fundamentais Comuns a Tudo no Ambiente que Circunda a Criança”, do livro A Descoberta da Criança, ainda sem publicação em português. Montessori falava da escola, a gente vai levar isso para casa.

Qualidade 2) Estética

A beleza não é opcional no ambiente da criança. Ela é absolutamente necessária. Uma beleza quase sublime, cuidadosa, pontual.

Um amontoado de coisas sem sentido, como são quase todos os quartos infantis, e infelizmente muitos dos modernos quartos montessorianos, é feio, sem sentido e confuso.

A beleza é pensada, cuidada, quase exata, e muito humana.

É belo o céu estrelado, sob o qual nos deitamos e ao qual assistimos não fazer nada, a conversar com um amigo ou companheiro, por tempo sem fim.

A criança quando encontra um pedaço de pedra no chão, um animalzinho novo, ou uma flor, e agacha-se para poder explorar e conhecer melhor, descobrir mais um detalhe do mundo, encaixar mais uma peça do infinito quebra-cabeças, que quando adultos esquecemos de completar.

É essa a beleza que devemos levar para nossos lares, se desejamos que sejam ambientes propícios ao desenvolvimento infantil.

Poucos brinquedos, de cores bem definidas, atraentes com certeza e até brilhantes, mas não exageradas em número.

 

Um dos materiais mais fundamentais dentro de Montessori é a Caixa de Cores, que contém 64 pequenos pedaços de madeira coloridos ou envoltos em seda tingida. São 64 cores, com certeza uma imensidão de cor e brilho. Mas são 64 cores que ficam dentro de uma caixa, que pode ser aberta e usada com beleza e cuidado pela criança, quando ela deseja. Não são 64 cores povoando e pululando no ambiente, a gerar tormentas mentais na criança que busca paz e tranquilidade para se desenvolver.

Essa beleza está em ambientes muito bem organizados, em objetos bonitos.

 Está em roupas organizadas nas gavetas do guarda-roupa e em roupas que permitam à criança apreciarem as peças do que vai vestir como se estivesse em um museu, e não tanto em frente a um muro decorado por uma profusão de pichações coloridas.

Essa beleza está em quanto pensamos naquilo que deixamos à disposição da criança e quando consideramos com cuidado cada elemento do espaço onde ela viverá.

Qualidade 3) Atividade

Esta característica diz mais respeito aos brinquedos e objetos úteis do ambiente. Não vale o brinquedo que brinca sozinho. Lembram do cachorrinho que, bastava ligar, saia dando cambalhotas? Esse brinca sozinho, como brincam sozinhos os brinquedos em que basta apertar um botão para sair um som. Se queremos um brinquedo com som, por que não um sino? Um chocalho? Um pau de chuva?

Os materiais colocados à disposição da criança devem inspirar sua atividade. Devem servir à mais íntima necessidade de movimento, de descoberta e de organização mental. Quanto aos brinquedos que chamam a atividades demais, não servem também. Nenhum adulto tem um só objeto com mais de dezessete opções de ação.

Cada coisa tem seu propósito no mundo. Um brinquedo de encaixes é bem vindo. Um com dezesseis encaixes diferentes, coloridos, que abrem-e-fecham é exagero, não serve. É necessário pensar em brinquedos que permitam à criança que aja, e não que se ocupe. E é diferente.

Quando ela vai à cozinha, encontra as panelas e as derruba todas de uma vez do armário, para depois sair andando à busca de outras novidades, isso é uma criança só se ocupando.

 Quando ela retira os potes do armário e começa a encaixar um no outro, ou a tentar tampar um por um, isso é ação, com propósito, com finalidade real, e que ajuda no desenvolvimento. Isso leva a criança a um grau de concentração lindo de ver, e que nós devemos ajudar a surgir por meio dos brinquedos, objetos e materiais adequados.

Qualidade 4) Limites

Se a criança tem coisas demais em seu ambiente, caminhar na direção de seu desenvolvimento é um desafio difícil demais, complexo demais. Não é simples. E precisa ser simples.

 Por isso, devem figurar nesse ambiente umas poucas coisas, que ajudem no momento do seu desenvolvimento, que sejam exatas para suas necessidades.

Fonte: Gabriel Salomão